Bom, antes que eu comece a minha historia, acho que você deve saber algumas coisas sobre mim. Primeiro: Na escola, sou a tipica garota nerd, não tenho amigos e meu corpo também não é de nenhuma modelo. Segundo: Por causa desse meu estilo nerd, sofro bullying no colégio, e finalmente por terceiro: tenho alguns pensamentos meio "suicidas", tudo por culpa desse maldito bullying. Sim, talvez você já esteja pensando nisso, e esta certo, me corto, não me alimento direito e quando como, vomito, coisas do tipo; Se você passa ou passou por isso, deve saber como me sinto, mas se você nunca passou, não me julgue pois você não sabe nada sobre isso, muito menos sabe como me sinto.
Bom, como agora você já sabe um pouco sobre mim, posso começar minha historia.
O dia em que tudo começou, era apenas uma tarde comum de quarta-feira, eu estava indo para minha aula de matemática, ate ai tudo normal.
Quando cheguei na sala, havia alguém sentado na minha carteira (No meu colégio, as carteiras são para duas pessoas) que ate a aula anterior estava vazia. Sentei-me em meu lugar, como se estivesse tudo normal, e o menino começou a conversar comigo.
-Oi. Prazer, sou o Harry.
Ele estendeu a mão e eu apertei-a.
-Sou [s/n]. Você é novo aqui?
-Sim, mas já conheço bastante gente. Me mudei pra cá à alguns dias e conheci algumas pessoas.
-Legal.
O professor entrou na sala e ficamos em silencio.
A aula passou, não conversamos mais, até que o professor passou um trabalho para ser feito em duplas. "Que ótimo, serei a unica que ficara sozinha, como sempre" pensei, mas para a minha surpresa o garoto ao meu lado, o tal Harry, perguntou:
-Vai fazer dupla com quem?
-Não sei, acho que vou fazer sozinha...
-Quer fazer dupla comigo? Também acho que vou ter que fazer sozinho...
-Você não tinha muitos amigos?
-Na verdade eu tenho, mas o Zayn vai fazer com o Liam e o Louis com o Niall.
Ele apontou para uns garotos, indicando quem era quem.
-Sendo assim, não sobra ninguém pra ir comigo...
-Pode ser.
O sinal tocou, e me levantei para ir pra outra sala.
-Depois a gente marca algum horário, ta.
-Ok, ate depois, [s/n].
Acenei para ele e parti para a aula de química.
Eu estava sentada no gramado do colégio, estudando inglês, quando alguns garotos, a gangue famosinha de John, vieram mexer comigo. Não aquele tipo de "mexer" como fazem com aquelas garotas perfeitinhas e oferecidas, to falando de outro jeito.
-Olha la a nerdizinha.
-Ta estudando o que em?
Um deles tacou uma bolinha de papel, que bateu na minha cabeça e caiu sobre o livro.
-Por que você estuda tanto?
-Deve ser porque não tem amigos e fica enchendo o tempo com os livros.
Me levantei e recolhi minhas coisas, tentando me afastar o mais rápido dali.
-E por que vocês não deixam ela em paz?
Me virei para trás e vi que um garoto vinha em nossa direção, e só quando ele estava bem próximo eu percebi que era o Harry.
-Cuida da sua vida, ninguém te chamou na conversa.
-A minha vida esta bem, obrigado, e isso não é nem de longe uma conversa.
Mais quatro garotos, os quatro garotos de quem ele falara na aula, se aproximaram.
-O que ta acontecendo aqui, em?
Eram três contra cinco, e eu estava no meio, com muito medo do que aconteceria e me perguntando por que eles estavam me protegendo.
-Nem precisa responder, eu já sei. Por que você não para de fazer isso em John? Por que ao invés de ficar provocando ela, não mexe com alguém do seu tamanho?
-Você também não esta a minha altura, não é, Tomlinson?
Os outros dois riram. De fato, o garoto era um tanto baixo, por isso, Harry ficou entre os dois.
-É, mas eu estou. E, se for ver bem, sou ate mais alto, não é?
Os "guarda-costas" de John se puseram ao lado dele.
-Mas se você for incluir os outros, então seremos cinco contra três. Acho que quem deveria estar com medo é vocês e não nos.
John ficou furioso, talvez por ter percebido que Harry tinha razão. Ele olhou em volta, a discussão chamara a atenção de um monte de gente, que agora estava se aglomerando em volta, provavelmente com esperanças de que tivesse mesmo uma briga.
-Isso ainda vai ter troco!
E dizendo isso, saiu dali do meio. Harry pegou minha mão e me levou dali.
-Por que você fez isso? Por que me protegeu?
-Porque era o certo a se fazer, não queria ficar parado vendo eles te machucarem. Isso acontece sempre?
Confirmei com a cabeça.
-E ninguém nunca te ajudou? Você não devia deixar eles fazerem isso.
Engoli em seco, sim, antes eu tinha uma amiga que me ajudava, ela era um anjo, e ja voltara para sua casa, ela também tinha os mesmos problemas, mas não aguentara por tanto tempo.
-Eu não posso fazer nada. Mas obrigado por isso, Harry.
-Qual é a sua próxima aula?
-Inglês, por que?
-Vou com você, mal posso imaginar com você topando com o John por ai novamente.
Segui o caminho para a sala, com ele ao lado.
-Quando você pode fazer o trabalho?
-Não sei... Qualquer dia, não faço muita coisa depois da escola.
-Pode ser hoje, então?
-Claro. Na minha casa ou na sua?
-Tanto faz.
-Pode ser na minha.
-Ok. A gente se encontra na saída e vamos juntos, eu só tenho que passar em casa e falar pra minha mãe.
-Ok, até depois.
Entrei em minha sala e ele seguiu outro caminho.
A ultima aula passou rápido, depois dela fui direto para a frente da escola me encontrar com o Harry, que ja estava la.
-Vamos, onde você mora?
-Subindo aquela rua.
Soltei um risinho.
-Eu não moro muito longe dali.
-Que bom.
Subimos a rua, lado a lado, até que ele parou em frente uma casa, que para a minha surpresa era ao lado da minha.
-Você mora aqui?
-Aham. Espera um pouco, só vou avisar a minha mãe, é bem rápido.
-Ok.
Ele entrou na casa e voltou uns instantes depois.
-Pronto, vamos. Onde você mora?
Dei um sorrisinho e apontei para a casa ao lado.
-Serio?
Confirmei com a cabeça.
-Então foi você que eu vi saindo de casa hoje cedo, você estava indo pra escola! Eu percebi de longe que você era muito linda.
Senti meu rosto corar, não era comum alguém dizer isso para mim.
-Obrigada.
Entramos na minha casa e colocamos nossas mochilas sobre o sofá da sala.
-Eu tenho que ligar pra minha mãe e dizer que você esta aqui. Ja volto, pode ficar a vontade.
-Tudo bem.
Ele sentou-se no sofá, eu peguei o telefone e fui para a cozinha. Liguei para a minha mãe, que estava trabalhando, e avisei que tinha gente em casa, falei quem era e que era para fazer um trabalho, ela deixou e disse para mim tomar cuidado (Afinal, vai saber se não é um psicopata, é quase impossível isso mas mesmo assim...) e que tentaria voltar mais cedo, para ver quem era esse tal Harry. Eu nunca levava gente em casa, desde que minha melhor e unica amiga se fora, provavelmente ela achou isso estranho, ou bom.
Minha mãe quase nunca para em casa, vive trabalhando, isso desde a morte do meu pai, à uns dez anos. Ele fora assassinado por um assaltante, na frente dela, por isso nunca tocamos no assunto. Depois que isso aconteceu ela passou a trabalhar em dobro, talvez tentando se distrair ou por que agora teria que nos sustentar, e não passamos muito tempo juntas, ela sai cedo e volta bem tarde, e talvez seja por isso que ela não sabe sobre o bullying nem a auto-mutilação.
-Pronto.
-Ela não viu nenhum problema em eu ficar aqui com você?
-Não, mas ela disse que vai voltar mais cedo, pro caso de você não ser um psicopata.
Ele riu.
-É, talvez eu seja.
-Bom então, fique bem longe de mim.
Rimos juntos.
-Então, vamos começar o trabalho?
-Claro. Vamos aqui na mesa que é melhor.
Pegamos tudo que precisaríamos usar, nos sentamos na mesa e começamos o trabalho. Apesar do calor, eu estava com uma camisa de manga comprida, como de costume, mas em certo momento a manga encolheu-se um pouco, deixando algumas cicatrizes de fora, e eu não percebi mas o Harry sim...
-O que é isso?
-O que?
-Isso.
Ele apontou para elas e só ai eu percebi. Cobri-as com a manga novamente e respondi:
-Não é nada...
Mas ele pegou meu braço e descobriu meu braço inteiro.
-[s/n] não me diga que você...
-Ja disse que não é nada.
-Como não é nada? Você tentou se matar e acha que isso não é nada? Pelo menos me diz qual foi o motivo pra você ter feito isso.
Permaneci em silencio.
-Ah, entendi. Foi por causa daquele idiota do John não é? Aquele cara vai ter que ter bastante sorte para eu não quebrar-lhe o nariz amanha.
-Por favor, Harry, me promete que não vai fazer nada. Eu não quero que ninguém fique machucado, principalmente você.
-So se você me prometer que não vai fazer isso de novo!
-Desculpe, não posso prometer isso. É uma parte de mim, não é fácil ficar mais de um dia sem fazer isso, me desculpe.
-Bom então, me desculpe mas não posso prometer-lhe que não vou dar um soco na cara do John amanha quando por os pés na escola.
-Por favor...
-Então me promete.
Respirei fundo. O que é que eu podia fazer?
-Não posso prometer que não vou fazer, mas prometo que vou tentar...
-Ok, então eu prometo que amanha não farei nada, pelo menos amanha.
-Não faz nenhuma besteira por favor, não por mim.
-Não se preocupe.
Ele aproximou-se (O suficiente para que houvesse um baile de borboletas em meu estomago) e beijou minha testa.
-E se tiver algum problema pode falar comigo, vou te ajudar com tudo que precisar.
-Obrigada...
Voltamos a fazer o trabalho e não tocamos mais naquele assunto.
Quando minha mãe chegou, já era quase de noite e estávamos terminando o trabalho.
-Ola, então você é o Harry. Eu te conheço de algum lugar...
-Eu moro aqui ao lado.
-Ah sim, eu falei com a sua mãe no dia que vocês chegaram, ela me falou de você e me mostrou uma foto sua. Tudo bem, vou deixar vocês terminarem o trabalho.
E foi para a sala.
Terminamos todo o trabalho e guardamos todas as coisas, o Harry estava quase indo embora até que a minha mãe saiu da sala e disse:
-Pode ficar Harry, eu liguei para a Anne e convidei ela pra jantar, daqui a pouco eles chegam aqui.
Ele olhou para mim e sorriu.
-Ok...
Ela foi para a cozinha, preparar sabe-se la o que para a janta.
-Quer ajuda, mãe?
-Não precisa, obrigada, faça companhia pro Harry.
-Vamos la pra cima.
Subi para o meu quarto, com o Harry nos calcanhares. Meu quarto estava uma bagunça, como sempre, mas não estava sujo.
-O que houve com aquele espelho?
Ele apontou para um espelho, pendurado na parede, quebrado.
-Eu quebrei...
-Como foi que você quebrou um espelho grudado na parede?
-É que foi de proposito... eu não aguentava mais me ver sempre que passava na frente dele.
As palavras saiam de minha boca, eu não conseguia esconder mais nada dele, agora que ele ja sabia de tudo.
-Entendi... mas não teria sido mais fácil apenas tira-lo da parede?
-Eu estava com muita raiva...
Ele sentou-se na minha cama e deu uns tapinhas ao lado dele, me chamando para sentar, e assim eu fiz.
Ele abraçou-me e me deu outro beijo (Outro baile de borboletas), dessa vez no alto da minha cabeça.
-Você precisa parar com isso. Você não é feia, nem um pouco, mas as pessoas disseram tanto isso pra você que você começou a acreditar. Não acredite mais neles, acredite no que eu estou te dizendo: Você é linda, muito linda, e não importa o que eles acham de você.
Ele passou a mão pelo meu pulso, puxando a manga para cima novamente.
-E isso aqui, são apenas cicatrizes de guerra. Você é uma guerreira muito forte [s/n].
-Obrigada, Harry, por tudo que você fez. Em um dia, você fez por mim o que ninguém fez em anos. Você é um anjo.
Ele me abraçou novamente, dessa vez mais forte, e pela primeira vez em meses, ou anos, sorri com sinceridade.
"I know it's hard to be asleep at night
Don't you worry, cause everything's gonna be alright
Be alright
Through the sorrow, through the fights
Don't you worry, cause everything's gonna be alright
Be alright"
Cdt:http://umasimplesdirectioner.blogspot.com.br/
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