- Pode ser esse? - perguntei me referindo ao cardápio de comida italiana em minha frente enquanto Harry não tirava os olhos do celular.
- Tanto faz - ele respondeu.
- Eu vou falar isso, mas não é por causa da comida, mas é sempre tanto faz. Eu, eu to cansada disso Harry.
- Desculpa. - ele falou agora erguendo os olhos verdes na minha direção.
- Não. - respondi dessa vez - Eu to cansada, de tudo, a minha presença na sua vida é irrelevante, tanto quanto a sua na minha.
- Onde você quer chegar com isso?
- Que talvez tenha acabado.
- Você ta me deixando?
- Harry, nós nos deixamos. Você lembra quando eu não conseguia dormir porque você estava em turnê? Porque não sentia o calor do seu corpo na cama? Agora eu consigo. Tanto faz. Eu me acostumei a não te ter.
- E você ta culpando o meu trabalho por isso? Pois eu culpo o seu por te impedir de me acompanhar. Clínica de merda.
- Ei, eu não culpei você ou o seu trabalho, eu tenho culpa nisso.
- Desculpa.
- Não. Harry. A gente sabe que acabou. Porque a gente ta insistindo nisso?
- Porque… - ele começou a fala e se perdeu nas palavras, não encontrando nada - Merda.
- Eu vou pra casa da minha mãe ou você vai pra casa da sua? - perguntei entendo que aquilo acabava ali. Nós acabávamos ali.
- Eu vou - ele falou levantando do sofá e andando em minha direção, colando os lábios na minha têmpora como sempre fazia - Merda, desculpa por isso.
- Tudo bem Harry, não se esquecem sete anos em sete segundos.
***
Faziam três dias desde que Harry saiu de casa. E dessa vez tinha algo no meu peito, uma bola na garganta. Não sei, uma sensação que não passava, já passei semanas longe dele, mas dessa vez eu não sabia quando ele voltava, se voltava. Ou melhor, eu sabia. Isso era quase que a pior parte.
Meu telefone começou a tocar, olhei pro relógio, três da manhã. Ninguém ligaria as três da manhã se não fosse uma emergência. Estiquei o braço e olhei o identificador de chamadas. Hazz. Aquilo me deu um aperto no peito, não sei explicar o que senti.
- Alô?
- Oi - ele falou com a voz rouca de sono.
- Oi…
- Oi.
- Harry?
- Oi?
- Porque você me ligou?
- Eu preciso te falar uma coisa, mas eu não tenho certeza se devo falar. Não, eu tenho certeza, porque se eu não falar eu posso acabar estragando tudo, mas eu preciso tomar coragem pra falar. Pode esperar na linha um minuto?
- Claro - falei rindo e em seguida ouvindo seus passos batendo na madeiro do seu quarto na casa de Anne.
- Ok, to me sentindo corajoso.
- Ok, estou ouvindo.
- Eu sei como é ser uma criança de novo, porque agora eu tenho medo do escuro. Parece estranho? Eu tenho medo da noite chegar e não te ter do meu lado de novo. E eu sei, sei que amanhã de manhã você tem que trabalhar. Mas como você pode ver, eu estou perdendo o sono, e eu sei que você tentou fazer o melhor. Mas é certo? Foi certo fazer isso e me deixar com medo do escuro e sem sono?
- Harry eu… - comecei a falar.
- Deixa eu terminar - ele me interrompeu, respirou fundo e recomeçou a falar - Eu to fugindo, quando eu vejo o sol se por eu começo a fugir do escuro, porque isso é apavorante, é apavorante saber que no final do dia você não vai entrar toda de branco por essa porta com cheiro de hospital. E isso é muito errado. S/n, eu preciso de você de volta. - ele falava sem parar, sem ao menos parar pra respirar - São três da manhã, e eu to ligando pra falar que sem você eu perco o sono… Por favor s/n, não pare de me amar.
- Eu ia falar lá em cima que também não consigo dormir. Mas você não deixou.
- Desculpa.
- Sinto sua falta Harry.
- Eu ainda te amo s/n.
- Eu também.
- Porque a gente deixou acabar?
- Eu não sei… - falei quase precisando conter as lágrimas.
- Foi besteira né?
- Foi. Volta pra casa?
- Preciso desligar - ele falou.
- Porque? - perguntei rápido, sentando na cama.
- Se eu começar a dirigir agora chego em casa pro café da manhã.
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