segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Imagine com o Zayn.


-Qual foi o resultado, doutor?
O médico pousou os óculos na mesa e cruzou os braços.
-O seu exame deu positivo, [s/n].
Meus olhos enxeram-se de lágrimas e eu coloquei as mãos sobre o rosto para seca-las. Eu estava tremendo.
-Meu Deus e agora? Há cura?
-No seu caso não. Quimioterapia não adiantaria. Me desculpe, [s/n].
-Tudo bem.
-Seu namorado sabe?
-Eu ainda não contei à ele... quanto tempo eu ainda tenho?
-Não sei o certo, uns 2 ou 3 dias... você pode ficar internada aqui caso prefira.
-Não, obrigada. Vou para casa... obrigada, doutor.
Ele me abraçou e eu fui para o carro.
Comecei a chorar, não sabia como surgia tantas lágrimas. Todos meus planos pro futuro... meus sonhos que nunca se realizariam... e como eu contaria para ele? Como o Zayn reagiria? Eu não sabia o que fazer...

Zayn p.o.v.

Ouvi um carro entrando na garagem e fui correndo para lá, a [s/n] havia voltado. Ela desligou o carro e eu a recebi com um abraço. Ela estava com uma aparência péssima, e estava muito mais magra do que quando nos conhecemos, já que nenhuma comida parava no estômago dela. Eu não devia ter deixado ela ir dirigindo, mas ela não deixou que eu fosse junto.
-Como foi la no médico.
-Não é nada, eu estou bem, só preciso tomar alguns remédios...
-Remédios? Você não consegue comer sem vomitar, esta cada vez mais sem forças e vomitou sangue nos últimos dias e disseram que você esta bem?
-Fica calmo, Zayn. Não é nada, vou tomar os remédios e se não melhorar eu volto la, tudo bem?
-Ta. Vem, vamos almoçar.
Entramos em casa, eu já havia feito o almoço, então nos sentamos a mesa e comemos.
Ela estava cada vez mais sem apetite, mas consegui convence-la de que precisava comer. Como podiam dizer que ela estava bem?
Terminamos de comer e fomos pra sala.
Ela começou a passar mal, como todos os dias, e correu para o banheiro. Encontrei ela agachada na frente da privada, com o corpo encurvado e a cabeça quase inteira la dentro.
-Vai pra fora, não quero que fique me vendo assim.
-Na saúde e na doença, ok?
Me agachei ao lado dela e segurei seu cabelo, enquanto passava a mão nas suas costas. Mais sangue saindo.

Você p.o.v.

Quando me senti um pouco melhor, voltamos para a sala e o Zayn fez com que eu me deitasse.
-[s/n] eu preciso te dizer uma coisa.
-O que foi, Zayn?
Ele se ajoelhou na minha frente e tirou uma caixinha do bolso. Me sentei na frente dele.
-Eu sei que não é tão romântico, mas eu queria saber o resultado do seu exame antes de fazer isso. 
Ele abriu a caixinha.
-[s/n] aceita ser minha pra sempre?
Havia uma aliança la dentro. Eu comecei a chorar. Por um lado, sabia que não podia aceitar, agora que já sabia o que estava por vir, mas por outro eu não podia recusar.
-Eu aceito, Zayn. É claro que eu aceito.
Ele tirou a aliança da caixinha e colocou-a no meu dedo, depois me abraçou e me beijou. Nós não podíamos nos beijar muito agora, porque eu começava a passar mal, então ele se sentou, meio inclinado, na ponta do sofá, onde antes estava minha cabeça, e me deitou sobre seu peito.
-Eu te amo muito, [s/n].
Ele beijou o alto da minha cabeça.
-Eu te amo, Zayn. Te amo com meu corpo, coração e alma.
E estiquei e beijei o seu queixo, o máximo que eu consegui alcançar.
Continuamos deitados nos abraçando e trocando carícias. Eu não conseguia parar de chorar. Lágrimas de emoção e felicidade, misturadas com medo e tristeza.

No lugar onde estávamos o Zayn acabou dormindo. Fiz de tudo para tentar dormir também, mas não conseguia. Me levantei, peguei um papel e caneta, e comecei a escrever.

Zayn p.o.v.

Acordei e vi que a [s/n] ainda dormia com a cabeça em cima de mim. A respiração dela estava fraca. 
Havia um papelzinho dobrado no chão, ao lado de uma caneta. Pude ver as palavras "Para Zayn" escritas com a letra dela na superfície. Estiquei meu braço para pega-lo, mas antes que eu conseguisse a [s/n] acordou.
-Bom dia meu amor.
-Bom dia, futura senhora Malik.
Ela sorriu e eu me curvei sobre ela e a beijei. Mas enquanto nos beijávamos seus lábios ficaram imóveis. Me afastei dela e ela não teve reação alguma, seus olhos continuaram fechados. Ela estava inconsciente.

Peguei o carro na garagem e comecei a seguir a ambulância. Não me deixaram ir junto com ela la dentro, sabe-se la porque. O papel dobrado estava dentro do bolso do meu jeans.
Chegamos no hospital e novamente não me deixaram entrar no quarto com ela. Me afastei da porta, xingando o enfermeiro que fechou a porta na minha cara e me sentei em um banco de espera.
Fiquei sentado la por muito tempo, talvez mais de uma hora mas eu não sabia o certo. Havia alguma coisa errada com a [s/n], mas eu não sabia o que era. Ou diagnosticaram ela errado, ou ela mentiu para mim. Por conta dessa incerteza eu não tive coragem para ler o bilhete dela.

Depois de um tempo, um médico me chamou e eu pude reconhece-lo como o médico da [s/n].
-O que ela tem? Ela esta bem?
-Ela não te contou?
-O que?
Eu comecei a tremer.
-Ela tinha câncer. A quimioterapia não resolveria nada, descobrimos tarde de mais, ela não tinha muito tempo mas não quis ficar aqui internada. Eu pensei que você já soubesse. Me desculpe pela sua perda. Nós tentamos reanima-la varias vezes mas ela não resistiu.
Eu tremia e chorava, chorava muito. Me sentei, praticamente me joguei, de volta do banco para não cair no chão. A minha garota... ERA A MINHA GAROTA, E AGORA ELA ESTAVA MORTA. Eu não sabia o que fazer. Eu daria de tudo para te-la de volta, daria minha vida se fosse preciso, mas nada resolveria... nós nunca poderíamos nos casar... tudo acabara.
-Posso vê-la?
O médico fez uma careta mas me deixou entrar. Ela estava deitada numa maca, seu rosto estava sereno, sem expressão, ela estava em paz. Me sentei em uma cadeira ao lado dela, enquanto o médico saia do quarto, me deixando sozinho ao lado do corpo sem vida da mulher da minha vida.
-Oi meu amor... - falei em vão.
Peguei sua mão, que estava com a aliança que eu dera a ela no dia anterior. Me lembrei do bilhete dela, o tirei do bolso e comecei a ler, enquanto minha mão continuava na dela.

"Olá, meu amor... 
Me desculpe, eu devia te contar isso pessoalmente mas não consegui. Eu vou morrer, Zayn, tenho câncer e nada pode me curar. Eu sei que não devia ter aceitado seu pedido de casamento nessa situação mas eu não podia recusar. Você sabia que meu sonho sempre foi encontrar o homem da minha vida e me casar, e esse homem é você. Me desculpe por fazer isso com você.
Saiba que eu te amo, com meu corpo, coração e alma. E não vai ser um câncer, ou a morte que vai mudar isso. Eu te amo muito mesmo. 
Sou sua. Pra sempre sua. Não se esqueça.
Com todo meu amor, [s/n]."

Dobrei o bilhete novamente e o deixei sobre a cama.
Acariciei sua mão e afaguei seu rosto.
-Pra sempre minha. - Sussurrei enquanto beijava sua mão, onde estava a aliança.

===============><===============

Nenhum comentário: